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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Sem medalha e sem hóstia

(O ARTICULISTA EMBRIAGA-SE E TEM UM SURTO DE ALZHEIMER)

                                 Sem medalha e sem hóstia

        O ano era 1957; eu tinha seis anos e já lia e escrevia; ensinamentos que recebera de minha mãe que era competente educadora. Porém, estava na hora de ingressar em uma escola formal, com horário certo, currículo oficial; atividades em grupo e outros benefícios que se tem em uma escola. Assim fui matriculado no Colégio Cristo Rei.  Instituição de ensino dirigida por religiosos que funcionava ao lado da Igreja de mesmo nome, situada na rua Nogueira Acioli,  em Fortaleza.
     E eu era um feliz estudante da alfabetização, senão vejamos: fiz logo amizade com outros traquinos que, em um só recreio, experimentavam todos os brinquedos do parque; a  maioria das matérias apresentadas na lousa pelas professoras, eu já sabia; a turma era mista e pouco numerosa, algo em torno de vinte alunos; mas, mesmo assim, era necessário três professoras em cada classe para manter aquela garotada entretida. E tem mais motivos para minha felicidade: meu pai me levava para o “ Cristo Rei” à bordo de um Mercury V8 hidramático quatro portas, no estilo saia-e-blusa, pois era verde-musgo das janelas para baixo e capota bege.  Na lancheira à tira colo sempre tinha um suco e deliciosos pasteis feitos em casa.  Morávamos na Tibúrcio Cavalcante com São Francisco (hoje, Leite Albuquerque). Minha mãe ensinava em uma escola do estado que funcionava a 3 quadras de casa; meu pai era servidor da Receita Federal.
     Chega o mês de maio e a minha turma recebeu dentro da sala de aulas, um altar improvisado, com uma imagem de Maria mãe de Jesus, para homenagens durante todo o mês. No início da aula, as professoras chamavam um aluno que recebia uma medalha dourada com um laço de fita azul e branco, que era afixada em sua farda e que ele ou ela, a empunharia com todo zelo até a manhã seguinte; quando a medalha passaria para o peito de outro aluno. E assim a programação seguiu mês a dentro, e a meninada levando muito a sério aquela primeira experiência religiosa.
Em certa manhã, ao retirar a medalha da farda de um coleguinha, as professoras não chamaram nenhum outro aluno e iniciaram o desmonte do pequeno altar que ficava em um canto da sala. Nesse momento eu me aproximei da professora principal e informei que eu não havia levado a medalha para casa e queria fazê-lo. A professora consultou as outras mas nenhuma concordou. Houve uma que afirmou: “ ele está brincando, veja como ele está rindo”. (onde se lê “brincando” entenda-se “mentindo” pois este era o real sentido da palavra pronunciada pela professora.
   Que deduções tira uma criança de um fato dessa natureza?
                                  - Que adultos são falhos ?
                                  - Que adultos mentem e por isso atribuem falsidades a outrem ? 
                                  - Que verdades e sorrisos são incompatíveis ?
                         - Que aquelas que agiam como representantes  da bondade Divina, na verdade encarnavam a maldade. Pois eu sabia que falava a verdade e as professoras não.
  Hoje em dia comparo aquela cena a um tribunal da Inquisição, onde eu, inocente cristão e defendendo o direito de sê-lo, e as professoras as carrascas que me condenavam e me lançavam as chamas da insensatez.
   Mais de quarenta anos transcorridos do episódio, eu entendi  o que houve com as professoras; entretanto é assunto que não cabe aqui, Por outro lado, atualmente, todos os dias sou condecorado por Deus, através de pensamentos e atitudes Altruístas; éticas e respeitosas aos seres humanos e ao meio ambiente.
  Minha permanência no “Cristo Rei” foi de dois anos, e durante esse período fui, por duas vezes, retirado da fila da comunhão. Lembro que uma das vezes  eu já estava bem perto do Padre e estava confiante que ia receber a Hóstia Consagrada, quando uma das pessoas que auxiliam na celebração, delicadamente me pegam pela mão e frustram meu intento. É que em certo dia da semana, após o término da aula, havia missa bastante frequentada, e do pátio onde  as crianças aguardavam quem os viesse buscar, tinha acesso livre à igreja. Talvez para compensar o fato de que as professoras não colocaram a medalha no meu peito, resolvera eu, receber a comunhão por conta própria. Não logrei êxito; Dei com os burros n’água . Esse episódio nem de longe me deu ódio; pois tinha consciência que estava errado uma vez que não havia passado pela preparação que antecede a primeira Eucaristia, e que as professoras estavam corretas.

                                                          Macau, agosto de 2018
                                                                      Cid Lôbo com retoques de Celeste Meneses.
                                                                          
      

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