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terça-feira, 12 de julho de 2016

Sítio Arqueológico na Chapada da Ibiapaba (repost)

 

Sítio Arqueológico na Chapada da Ibiapaba

Pedra Furada de Ubajara


 A  Antropologia clássica

Arte rupestre em Ubajara
 Há 14 mil anos, o Homo Sapiens em busca de novas fontes de alimento, climas mais favoráveis à manutenção da vida e, talvez, levado também pelo espírito  de aventura e descoberta, que justificaria perfeitamente sua classificação como Homo Sapiens,  sai da Ásia, empreendendo épica jornada pré histórica através do que hoje conhecemos como o Estreito de Bering, até chegarem às terras que hoje são o Continente Americano. Pelo menos essa é a teoria consignada pela antropologia clássica, embora,  a meu ver, seja ainda inexplicável como tenham podido, nossos ancestrais,  atravessar aquelas vastas áreas cobertas por camadas espêssas de gelo, sem nenhuma oferta de suprimentos ou, refúgios naturais favoráveis a sobrevivência.
 Esta teoria é, entretanto, aceita como correta e parcialmente apoiada na comprovação da idade de 13.500 anos em ossadas humanas encontradas no Novo México no sítio arqueológico de Clóvis, e, grandemente apoiada nos resultados de pesquisas genéticas que comprovam a orígem asiática da maioria dos povos americanos. A maioria, devemos enfatizar, e não a totalidade.

Uma Pedra Lascada no meio do Caminho


 Pelo menos esta é uma hipótese bem elaborada e relativamente fácil de ser aceita, através de alguns indícios científicos fornecidos pela pesquisa
Arte rupestre em Ubajara
antropológica, sobre a origem do homem na América, entretanto, e sempre há um entretanto, principalmente quando se especula acontecimentos que tiveram lugar  há mais de 10 mil anos, há certas evidências que parecem descortinar outros palcos para o drama humano na sua jornada rumo ao Continente Americano.

Parodiando o poema de Drummond: Havia uma pedra lascada no meio do caminho que deixou a antropologia clássica em estado muito pouco cobfortável, é que modernamente, foram descobertos artefatos arqueológicos na Argentina e Chile que datam de até 33 mil anos e no Brasil de até 60 mil anos, portanto, mais de 40.000 anos anteriores às datações da América do Norte, o que parece antagonizar a clássica teoria que indica o estreito de Bering como porta de entrada inicial. Logicamente, por aquele ângulo, as sociedades mais antigas deveriam ser encontradas no norte do continente e não no sul.   
 As teorias modernas especulam a possibilidade de o homem ter iniciado sua expansão pelo planeta há mais de 130 mil anos, rumo à Ásia, Europa e
Arte rupestre em Ubajara
Clesivaldo
 Américado Sul (pelo Oceano Atlântico). A meu ver, e isso é somente minha modesta opinião como arqueólogo amador, a chegada do homem à América do Sul se deu, principalmente através do Oceano Atlântico, isso explica de forma confortável a existência de inumeráveis indícios (devidamente catalogados pela equipe da dra. Niede Guidon) de atividade humana, datados  de mais de 60 mil anos, no sertão do Estado do Piauí, no sítio arqueológico da Pedra Furada, situado no Parque Nacional da Serra da Capivara daquele Estado.
Os Marinheiros do Sertão

 Parece óbvio que esses ancestrais, consequentemente à chegada ao continente, tenham adentrado e desbravado o território recém descoberto, em busca de alimento (caça) e moradia (grutas e cavernas), a fim
de protegerem-se da chamada mega fauna então existente, constituída de grandes carnívoros como o tigre dente de sabre e o leão americano, dentre outros. Estabeleceram-se, deixando marcas de suas atividades. Pelo menos é o que provam os inúmeros achados no interior de diversos estados brasileiros
Claudio
João Melo
onde se destaca o Piauí, onde está localizado o Museu do Homem Americano, criado e dirigido pela Antropóloga Dra. Niede Guidon.
 Nas minhas andanças pelos sertões dos estados nordestinos, vi muita coisa esdrúxula e interessante tidas como inexplicáveis. No sertão (centro oeste) do Ceará, fronteira com Piauí, por exemplo, há um grupo familiar conhecido como os "Marinheiros" que, se não é nome próprio de família, é como são conhecidos secularmente. Marinheiros? Quis saber, -Marinheiros em pleno sertão? Indaguei, certa feita, a uns mais antigos. - Sim, Marinheiros, há muito chegados nessas terras, aportaram nas costas Paraibanas e se embrenharam pelo Ceará e Piauí, são os que primeiro  habitaram estas  terras.
Responderam uns mais espertos.
 Não, não foram, pelo menos não a ponto de terem sido os primeiros habitantes daquele sítio, na Serra da Capivara que, segundo conclusões da Dra. Guidon, era constituído por Homo
Sapiens arcaicos do tipo australóide-negróide, provenientes do Continente Africano. Os "Marinheiros" que encontrei no Sertão podem ser  mais facilmente incluídos como descendentes de um grupo moderno do  tipo Caucasiano, pois são altos, muito claros e louros. De qualquer forma destoam fisicamente do resto do povo do Sertão e, a meu ver, é motivo para futuras pesquisas.

O Homem Americano no Ceará

 Mas, votemos às origens do homem Americano. No Ceará as datações

Lobão
efetuadas através do carbono 14 em artefatos arqueológicos revelam datas  muito recentes, cerca de 700 anos AP (Antes do Presente) no caso do  sítio arqueológico do Evaristo, em Baturité; 1200 anos AP na Praia de Jericoacoara; 640 anos AP para uma aldeia ceramista Tupi guarani,  no município de Mauriti; Só para citar alguns dos 535 sítios arqueológicos "catalogados" do território cearense, incluindo sítios cerâmicos, sítios arqueológicos do período histórico, oficinas líticas e sítios da arte rupestre pré-histórica. Naturalmente que esse número é bem maior, contando com os não catalogados, e, se incluirmos os ainda desconhecidos, não se pode saber qual será a cifra final.

Arqueologia na Ibiapaba

 Na Chapada da Ibiapaba, entre os Municípios de Ubajara e Ibiapina,

Toinho
encontra-se ainda não catalogado e, portanto, desconhecido pela ciência antropológica e "oficialmente" ignorado pelos órgãos públicos locais, um importante sítio arqueológico, situado entre a cachoeira do Boi Morto e a Pindoba, em pleno Carrasco, que é uma espécie de savana densa e seca localizada geralmente em depressões no topo de chapadas, onde predominam plantas caducifólias lenhosas, arbustivas, muito ramificadas e densamente emaranhadas por trepadeiras.
 É nesse cenário desolado, com clima que lembra mais à Caatinga que à Serra, que  encontramos uma pequena gruta ou furna (termo mais comum no interior cearense), que encerra, sabe-se lá há

quantos séculos, talvez milênios, a nosso ver, um valioso sítio arqueológico, que preserva em seu interior, o que presumimos ser,  uma série de  inscrições rupestres, representações de animais, órgãos humanos, e signos que aparentemente representam contagens numéricas.
 Quando digo "oficialmente ignorada pelos órgão públicos", me refiro ao fato de já ter o arqueólogo amador João Melo, nosso companheiro e guia na atual expedição, procurado o IBAMA tendo relatado a existência do sítio em questão e, inclusive, levado representantes do órgão à furna,  para que verificassem in-loco a veracidade de suas afirmações, sem que, por parte do IBAMA, nenhum reconhecimento tenha conseguido, sequer por motivos preservacionistas.
 E parece que preservação é a palavra chave da questão, uma vez que uma extração "ilegal" de pedras do local, tem ameaçado a integridade da furna,

uma vez que o Sítio como um todo, já está irremediavelmente comprometido.
 A extração de pedras já está a cercar perigosamente a região da furna, encontrando-se, da ultima vez que lá andamos, há aproximadamente 40 metros da parte principal do sítio, a Pedra Furada.
 Infelizmente, não podemos prever mas, com o rápido correr da carruagem, é possível que da próxima vez que lá formos, não haja mais a furna, nem as inscrições rupestres nem o sítio no entorno. Tudo deverá estar triturado, servindo de base para argamassa de alguma construção municipal...

 Minhas Credenciais 
Quanto à pesquisa arqueológica, deveria apresentar minhas "descredenciais". Não sou arqueólogo, ou antes, sou arqueólogo amador, e, embora exerça só de raro em raro esse hobby, coisas, fatos e artefatos antigos parecem me perseguir. Certa feita, num sítio não catalogado e desconhecido pela sociedade arqueológica, no Município de Caucaia, desenterrei um belo artefato de Pedra Lascada, uma ponta de lança esmeradamente trabalhada, incrivelmente bem conservada, com todos os talhos laterais intactos, assim como a ponta, ainda afiada. Aliás este sítio, atualmente encontra-se completamente destruído pelo poder econômico, no lugar está sendo construída uma siderúrgica multinacional.  Atualmente desenterrei num pequeno sítio em Ubajara, de minha propriedade, uma outra ponta de lança, essa mais rústica, porém com traços inquestionáveis de maniulação humana. Pode ser que tenha encontrado um sítio arqueológico bem aqui no meu quintal, por enquanto não o sei, pelo menos estará preservado, ao menos enquanto tiver vida.



Os Pesquisadores

 Em meados do mês de Janeiro, 2015, convidado que fui pelo pesquisador João Melo, formamos uma pequena expedição com os antropólogos amadores (costumo brincar) Clesivaldo de Sousa, meu primo; Pedrinho do táxi, Claudio Lobo (meu irmão) e eu, que fiz algumas fotos, já editadas e enviadas para o youtube para registro.
 Apressei-me em fotografar e postar na Web, e agora editar aqui no meu site pessoal, o querido pianoclassico, pois temo que brevemente, graças à indignidade humana, esse importante sítio arqueológico não venha a ser mais que um punhado pedras sobre pedras, aliás, pedras lascadas sobre pedras lascadas.  (Newton Lobo.)
   









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