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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

G. S. Sachdev - Two Moods

                               Two Moods






















   Um rei, velho e sábio, tendo quatro filhos e, sabendo que pelo costume real teria que legar a corroa ao primogênito, ousou questionar essa regra universal de sucessão, há muito instituida por velhos soberanos, achando ele que, não o mais velho, mas, o mais sábio, merecia o cargo, pois com sabedoria e somente com ela, é que se pode dirigir um vasto reinado. Decidira enfim, legaria seu cargo e seu reinado ao filho que demonstrasse mais sabedoria.
   Chamando-os, deu, a cada um, uma exata quantia em moedas de ouro, sentenciando: - Aquele que com esse dinheiro comprar maior quantidade de mercadoria, será  escolhido à sucessão. E destinou à cada um deles um grande armazém real, dizendo-lhes: -Aquele que colocar no interior de seu armazém maior quantidade de mercadoria, não importando se  for usada, velha ou inútil, pois o que importa é a quantidade, provará maior inteligência e, com isso, será merecedor da coroa real.
   Com esse decreto, logo os príncipes empenharam-se em viagens várias pelo reinado e até por reinos vizinhos, numa árdua busca por mercadorias baratas com as quais pudessem, talvez, encher seus enormes armazéns. No final do dia, cada um retornava com enormes quantidades de objetos. Um, trazia enorme quantidade de papel usado, comprado numa usina de reciclagem (naquele tempo já existia, pode crer). Um outro trazia toneladas de adubo, adquirido de um nobre e falido fazendeiro. O outro comprara enormes quantidades de feno capim e restos de cultura, adquiridos por um preço bem baixo.  E assim, via o velho rei a cada dia, seus armazéns sendo gradualmente abarrotados com todo tipo de tranqueiras. Mas, alguma coisa estava errada...
    Bem, quase esquecia de falar sobre o filho mais moço, o que era músico. Este, passava o dia unicamente a cuidar de seus interesses artísticos e, à tardinha, quando voltavam ao castelo  seus irmãos, com suas carroças abarrotadas de traquitanas, um por um sentenciava: -Irmão preguiçoso, sabemos que jamais irás ganhar essa disputa pois não tens inteligência mas, por que não mostra pelo menos empenho e assim agrada o coração de nosso velho pai? O jovem nem dava ouvidos, e como estava, confortavelmente abancado no jardim real, continuava a tocar, mansamente, sua tão amada Lira!
   Ah! Suspirava o velho pai muito entristecido pois, justamente por aquele filho mais moço é que havia instituído aquela prova. Achava ele que o filho músico, apesar da aparente vadiagem e irresponsabilidade, era, no fundo, um homem sábio e, facilmente venceria a competição, fazendo jus ao trono e consequentemente, o povo do reino ganharia um representante digno, honesto e sábio. Mas, os acontecimentos não se desenrolaram como esperava o bom rei que, por isso, ficava a cada dia mais abatido, até que resolveu argüir o filho. Aproveitando a ausência dos outros, que cedo saíram em busca de novas mercadorias, foi ao jardim, onde o encontrou  a tocar lira e declamar poesias com amigos, inquirindo-o: - Filho querido, teus irmãos já se foram ao trabalho, seus armazéns já estão quase cheios, pela metade, e tu? nada fizeste. Então, não vais querer herdar o trono de teu pai? Ao que o jovem respondeu: - Paciência pai querido, ainda é muito cedo, há ainda muito tempo para pensar nisso. E continuou a tocar e a cantar...
   Os irmãos, ao chegar o fim do dia, zombavam: - Irmão preguiçoso, restam poucos dias e tu, nada conseguistes comprar, és um idiota mesmo!
   E o prazo findava, até que chegou a manhã do último dia, os armazéns quase cheios e os irmãos na rua, ainda à cata de mais quinquilharias, todos numa sôfrega busca à vitória. Todos empenhados numa louca disputa. Só o mais moço quieto. Indolentemente balançando-se nos jardins palacianos, a dedilhar sua inseparável companheira, a Lira. O pai, outrora desesperado, agora se conformara, convencido que o filho caçula, na verdade, não tinha qualquer inteligência e assim  desviara suas atenções aos outros três mais velhos que há dias empenhavam-se como loucos na execução da tarefa por ele determinada.
   Ao fim da tarde, o velho soberano resolveu fazer a inspeção dos armazéns, começando pelo do filho mais velho. Mandou que seus técnicos medissem, com muito escrúpulo, a altura que atingira as mercadorias ali depositadas. O resultado fora excelente, faltando pouco menos de um palmo para atingir o teto. -Excelente, excelente, disse o rei entusiasmado. O mesmo se deu com o segundo e o terceiro filho, todos chegaram a níveis excelentes, tão próximos que os técnicos do rei encontraram grande dificuldade  nos seus trabalhos, e refaziam as medições, a fim de estabelecerem, com exatidão, as quantidades que cada um dos armazéns comportava, sem falar que de um dos filhos sobraram três moedas de ouro, de outro, duas, e de um outro, quatro moedas. Teria de haver muito critério na escolha do campeão, pois, os três foram muito bons.
   Repentinamente entristeceu-se o bom rei. Lembrara-se do filho mais novo, e foi ter com ele e, de forma contrita, com lágrimas nos olhos sentenciou:
-Filho amado, esgotou-se o prazo, e tu, nada fizeste. Bem, saibas que continuas a ser meu querido e, muito embora não chegues à coroa, por ter dado provas que não possui inteligência, mesmo assim, ainda imperas em meu coração.
   -Calma meu pai, calma. Retorquiu o rapaz. -Ainda não se esgotou o prazo não é? Sei que ainda faltam alguns minutos... -Mas, filho. Reagiu o velho com certa rispidez: - Que podes fazer em apenas alguns minutos? Acaso ficaste louco?
    O caçula nem responde ao velho pai, chamando um criado à parte, dá-lhe uma mísera moeda de cobre e ordena que vá a uma venda bem próxima ao castelo  comprar certa mercadoria.
    Medição concluída, os juízes do certame já chegaram a uma decisão quanto ao vencedor, já estão no momento de declará-lo quando surge o filho mais moço: - Pai, vamos ao meu armazém, vejamos o que consigo fazer. O rei, apesar de achar que o filho ficara realmente louco, resolve atendê-lo, seguindo-o, juntamente com seus juízes e os outros três filhos. Ao entrarem no armazém, vazio, o jovem musico manda que fechem todas as portas e, considerando que já era boquinha da noite, fez-se escuridão total. O filho caçula tira do bolso, então, o que mandara o criado a pouco comprar: Uma vela! E, acendendo-a enche o vasto armazém de luz... Enche-o literalmente, até o alto do telhado, cada espaço, cada fresta, preenchida completamente pela luz de uma simples vela, que custara poucos centavos. O rei, os juízes e até os irmãos ficam encantados com a mágica sabedoria do mais moço, que enchera um armazém inteiro, com uma simples moedinha de cobre, sem nenhum trabalho e ainda devolvera quase todas as moedas de ouro a seu pai. Quase todas é claro, sem contar aquelas que gastara num porre homérico com uma curriola de amigos músicos!
   





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