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sábado, 23 de janeiro de 2010

Bartolomeo Campagnoli - Flute Concerto, Duets

Editorial de domingo                                                                                             








   É necessário homenagear e  dar os devidos créditos à Ciência da psicologia, ou seja, à psiquiatria e à psicologia, assim como às técnicas psicoterapêuticas utilizadas em todas suas vertentes, tão comuns na nossa modernagem e, tão utilizadas no tratamento ou, pelo menos como poderoso lenitivo das afecções da alma, melhor dizendo, da psique do homem dos dias conturbados de hoje. Mas como toda ciência, fruto da genialidade humana sempre eivada pela soberba e presunção, sobranceira que é na arrogância e orgulho insolentes, é passível de erros, como de resto, todo acervo fruto da criação humana, portanto, erra também a psicologia em algumas de suas assertivas.(ou seriam errativas?)
   Desde muito moço, por exemplo, ouço falar que experiências más, acontecimentos negativos, desastrosos, desagradáveis, durante a infância, podem criar bloqueios psicológicos que acompanharão a criança por toda sua vida, até idade adulta.  E que essa criança pode deixar de gostar daquilo que venerava,  transformando esse amor em temor e ódio, se o acontecimento tiver sido realmente traumatizante.
   Mas, querem saber por que  vosso amigo lobão tocou neste assunto?  Explico.

   Hoje, ouvi alguém citar o nome de um  maestro que gozou de relativo prestígio e teve brilhante atuação local e nacional, em meados do século passado (esse negócio de século passado é um saco, parece que somos todos Matusalém, parece que tudo de importante aconteceu no século passado...) desse Maestro, excelente Maestro, diga-se de passagem, tenho lá umas recordações não muito agradáveis, não é o único de desagradável lembrança mas, como o fato ocorreu na infância, deve ter-me marcado sobremaneira, creio. Foi assim:
    Certa feita, resolveram criar uma orquestra filarmônica jovem, apadrinhada por ricos empresários locais e custeada, em parte, com  dinheiro público. Muitos jovens músicos  se inscreveram para o evento, muitos sem nenhum conhecimento musical uma vez  que, conhecimentos musicais não eram imprescindíveis, já  que a idade dos participantes era bem reduzida e todo ensino dar-se-ia do princípio básico da ignorância musical. Entre eles estava eu, talvez um dos menores. Apresentei-me, passei por uma pequena entrevista e, logo em seguida executei algumas besteirinhas ao piano, aliás, achava eu, na minha pouca idade, que tocar umas coisinhas onde poucos sequer sabiam o que era um piano, já me fazia solista da filarmônica. Que sonho para uma criança de, talvez doze anos. Bem, o tal Maestro foi logo me dizendo que a vaga para pianista já havia sido preenchida. Na verdade ele sabia de quem eu era filho, neto e bisneto, e que alí estava mesmo era pleiteando a vaga de pianista. Mas, conformei-me, só matutava: Como já estava preenchida a vaga, se fui um dos primeiros? Isso não entendi, não naquela idade...
   Pois bem, passado o susto, declarei ao tal Maestro que me contentaria absolutamente com qualquer instrumento, até com o violino, que odiava, desde que entrasse para a Orquestra. Respirava música, vivia música, sonhava música, a presença e intimidade com os naipes da orquestra me encantavam, era um alumbramento estar em meio a eles.
  Alguns dias após recebi recado convocando-me para apresentação (primeira aula) da orquestra. Sentei-me lá na última cadeira, a sala já estava cheia quando cheguei, ouvi toda a demorada e inteligente explanação do Maestro, e por fim, cada um declarou que instrumento pretendia treinar, e passamos a responder à chamada. Fulano,  -Presente!   Sicrano, -Presente!  Beltrano, -Presente!  E eu?  Por que não fui chamado?
Indagando o professor, este me diz, demasiado austero e rispidamente:  Você não está na lista, foi chamado por engano, fica pra próxima, tchau!
   (P...)  Para um pentelho de doze anos... Tivesse dado com um pedaço de pau na cabeça teria doído menos. Realmente, um  duro golpe, principalmente por ter sido alí, naquele lugar, um velho sobrado que pertencera a meus avós e que à época sediava a Ordem dosMúsicos, olhem só que bizarro. Bem, acho que com essa experiência, deveria ter passado a odiar a música imediatamente e dedicado-me ao futebol.  Ora, a psicologia diz que traumas desse tipo, na mente duma criança... (Blá,blá,blá)  Acho que qualquer acontecimento deste nível abala um bocado a alma duma criança, sobremaneira tratando-se de algo como a Música, artigo de tal magnitude que é até  difícil mensurar o grau de importância que tem para o ser humano. Na verdade a Música tem esse poder de agir em nossa psique, mudando as reações que possamos apresentar em determinado momento, em função do estímulo sonoro, e isso é fato comprovado,  tanto pelas as ciências físicas como psíquicas. Assim como difícil também é mensurar o nível de modificações, digamos assim, que a própria "diversidade física" dos instrumentos causam no ser humano, quero dizer, essas nuances físicas devem imprimir condições particulares no ouvinte, de acordo com suas próprias nuances, refiro-me aqui tanto à mecânica ondulatória quanto à acústica, tanto às variedades de materiais empregados na consecução dum instrumento quanto às suas características acústicas, sem falar na fisiologia dos "movimentos musculares" tanto quanto na própria fisiologia da audição, este maravilhoso sentido humano, tudo isso impressiona profundamente o ser humano, Imagine o que sente um músico em meio a toda essa diversidade, por exemplo, num simples ensaio de orquestra. Por isso, a Música, tão intimamente relacionada com a sociologia, antropologia, neurologia, etologia, e a própria psicologia,  tem efeito devastador na psique dum jovem músico. Que aparente contra-senso não?
       Resumindo, nunca deixei de amar a música, este bem precioso da humanidade. Segundo Charles Sanders Peirce, a estética a ética e a semiótica, que formam o coração da filosofia, "investigam as leis necessárias e universais da relação dos Fenômenos com os Fins, isto é, sua relação com a Verdade o Correto e o Belo...a ética recebe seus princípios básicos da estética. Assim, a ação deve ser baseada em atos admiráveis (e portanto controlados por esse princípio). Com relação à música, estas idéias se aplicam em relação aos atos corretos, tanto mentais como físicos. Este princípio rege respectivamente os estudos musicais, ou a musicologia; e a prática e a performance musical. A eficiência de ambas atividades depende de uma ética de pensamento e de execução apropriadas, não no sentido moral, mas antes no sentido lógico filosófico".



   Bem,  nesse momento, me parece, o Maestro só percebia o summum bonum de Peirce: "o mais alto ideal, que  é também um sentimento imediato adotado sem outra razão que a sua excelência. Isto é, o summum bonum é uma coisa ou uma idéia admirável, cuja admirabilidade depende única e exclusivamente de si mesma. Parece não haver nenhuma dificuldade em reconhecer este princípio como também válido em música..."

   Entretanto, se nesse episódio o Maestro demonstrou falta de tato com crianças, por outro lado provou ser um profissional  experiente, tendo reconhecido minha total falta de talento para a música, coisa que eu mesmo, só descobriria anos após.   A criança em questão, estranhamente contrário aos ideais egocêntricos e interesseiros do não muito nobre Maestro, passou a anexar à idéia de música, ideais nobres e elevados  juntamente a sentimentos fraternos e humanitários, segundo um princípio espiritual mais condizente com esta Divina dádiva que é a Música. Portanto, talvez por isso mesmo, até hoje achamos que a música (de qualidade) deve ser compartilhada gratuitamente e com fácil acesso à toda população (vide a Página Sobre Nós).
   E é isso, simplesmente isso que tentamos fazer, diariamente, aqui no piano classico. Democratizar a boa música, e miraculosamente multiplicar todos esses acordes e contrapontos maravilhosos, legados de nossos antepassados.
   Qualquer dia conto a história dum Maestro de fama internacional que mandou este lobão que vos fala rasgar e queimar uma edição novinha do Cravo Bem Temperado Vol. II, uma edição das Suites Francesas, uma das Suites Inglesas e outra lá que não lembro mais... Mas, isso é outra história.
    Excelente fim de semana,  rogando sempre a proteção das Superiores Entidades.
    Forte abraço!












                                                                                                                                                          

2 comentários:

  1. Saudações parceiro e parabens pelo trabalho aqui dedicado. Tenho de longe acomapnhado cada passo deixado aqui e confesso ter bebido de maravilhas e grandes classicos. Seu pequeno editorial veio como espelho de lembranças ja que passei por situação semelhande e levei tempo para acreditar em mim novamente. Uma vez mais vejo que como blogueiro que sou, encontrei novas experiências e visão do mundo que me cerca com apenas um pequeno comentario que seja.
    Abraçõs e fica na paz

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  2. Primeiramente, muito obrigado pelos imerecidos elogios. Fico feliz em saber que também conseguiu superar idêntico problema, talvez com maestros.
    Fiquei encantado com o Borboletas de Jade, do qual passo a ser fã, seguidor e admirador, desde já.
    Congratulações Mr. Batterfly pelo vosso refinado trabalho.
    Forte abraço do amigo
    lobão.

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